Não gosto de datas comemorativas. Explico logo, antes de ser apedrejada, que as datas tem uma única função, que é a comercial. Normalmente, evito dar muita ênfase às datas. Vejam: se tua mãe tem realmente importância, irás reverenciá-la, independente de uma data específica.
Adoro dar presentes fora das datas. Acho lindo e importante. Datas pressionam, obrigam a pessoa a lembrar da outra. Fora delas, o outro sabe que foi lembrado genuinamente.
Ora, fica praticamente impossível evitar essas comemorações no âmbito escolar. Aliás, algumas escolas, provavelmente, não saberiam o que fazer, não fossem essas marcas nos calendários. Santa falta de imaginação!!!!!!
Pois este ano decidimos entregar para as mães dos alunos, sacolas de tecido, em substituição às de plástico, recebidas nos mercados. Nem um pouco original, não fosse o fato do tecido ter sido doado por uma estofaria, a costura ter sido feita por uma das mães, e as minhas crianças terem aprendido a costurar flores de pano, na sacola.
Isso mesmo. Passamos uma tarde, enfeitando as sacolas, com flores de pano, feitas e costuradas, pelos alunos. Só dois, dos meus vinte, sabiam costurar. Os outros dezoito aprenderam na última sexta-feira, comigo.
Não imaginem flores perfeitas, nem pontos invisíveis nas costuras. Imaginem flores cuidadosamente presas, com pétalas meio tortas e miolos um tantinho desproporcionais. Mas também imaginem que as mãos que deram os tais pontos visíveis e prenderam as tais pétalas e miolos, foram pequenas mãos de uma gente pequena, que conhecia muito bem aquelas a quem as bolsas pertenceriam.
Tenho preferência por tudo o que for produzido pela criança, ainda que não pareça perfeito. Pode não "parecer", mas ESTÁ, pois tem uma carga de amor insubstituível, e "incomprável", além de incomparável.
O relato dos alunos foi emocionante. Disseram que as mães choraram, ao receber o presente. Acredito.
Não foi só um presente. Foi uma experiência e um aprendizado que essas crianças carregarão para toda a vida. Poderão, agora, costurar os próprios botões, as próprias meias, e, quem sabe, aventurar-se por outras "linhas"... E não é esse o objetivo, afinal, da educação?
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