Às vezes chego em casa e choro. Choro copiosamente. Não, não tenho dor física. Não tenho nada que se cure com uma dose cavalar de Paracetamol. Também não me sinto impotente diante de algumas dificuldades encontradas pelas minhas crianças. Por mais difíceis que elas pareçam eu sei, acredito piamente, que serão superadas, mesmo que levem mais tempo que o normal. Elas conseguirão.
Minhas lágrimas têm outra razão: a de saber que tantas crianças estão nas mãos de quem não acredita. Não acredita em nada. Imagina na capacidade delas... 'que é isso? tá louca? aqui isso não dá certo!'. (Ai, que dor.)
Houve um tempo em que briguei. Muito recentemente briguei muitíssimo. Muito recentemente fui obrigada a olhar atentamente para... A MINHA INSIGNIFICÂNCIA. Pois bem, olhei mesmo para ela, que foi esfregada, literalmente, no meu nariz. E fiquei mais apaixonada ainda por essa insignificância, por essa pequenez, por isso que chamaram de INCOMPETÊNCIA.
Incompetente é o professor que não usa o mesmo Diário, ano após ano, ou o do colega ('Afinal, a gente é a favor da mudança, né?').
Incompetente é o professor que permite que seus alunos interrompam a explicação para perguntar algo que está martelando na cabeça deles há muito tempo, e que ninguém ainda conseguiu responder ('Afinal, que espécie de hábitos e atitudes estás ensinando?')*.
Incompetente é o professor que pouco se interessa por um caderno abarrotado de folhinhas coladas ou exercícios de repetição ('Afinal, como é que eles vão treinar a organização?').
Incompetente é o professor que lê, que ensina seus alunos a procurarem as informações por eles mesmos ('Afinal, pra que é que a gente serve? Pra ensinar. Eles, pra aprender, oras!').
Muito prazer, eu sou uma professora chorona e completamente IN-COM-PE-TEN-TE!