quinta-feira, 19 de junho de 2008

Imagem




Esse desenho foi feito por uma criança de 6 anos de idade, em junho de 2008.
Que tipo de mundo estamos deixando para nossas crianças?
Que tipo de imagem está se formando em suas mentes?
Onde a solução?
Educação?
Não sei, não sei...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O teatro, na sala de aula

Quero contar como considero maravilhoso usar o teatro, a música, a poesia, a alegria, a arte, enfim, em qualquer aprendizado. Tenho uma queda enorme por essas linguagens, e sempre procuro encaixar aqui ou ali, no meu fazer pedagógico, essas formas de "dizer".
Já me vesti de jogador de futebol, de vovó (gosto, particularmente, desse personagem), de palhaça, de carteiro ("Seu" Ananias, personagem de André Neves, no livro A poesia de Dona Sofia), de Salvador Dali, com direito a falar em espanhol e tudo. Meus planos são me vestir de Chiquinha (do seriado Chaves), ainda este ano.
Acredito que as coisas que se aprende, que se ouve, sobre as quais se interage numa situação dramatizada, ficam pra sempre. É assim comigo, adulta, próxima da chamada terceira idade (quero chegar na décima!); como poderá não ser para as crianças, tão desprovidas de proteção contra o novo?

Não sofro mais

Inventei um jeito de não sofrer. De parar de chorar. De parar de me arrepiar até à alma, diante de determinadas falas de determinados profissionais de determinados... ah, deixa pra lá... O importante é que inventei. Afinal, não era muito coerente alguém que preza tanto a mudança, continuar batendo sempre na mesma tecla da revolta e, principalmente, da dor. Não mesmo. Inventei.
Inventei a música na cabeça. Coisa mais simples impossível. Sempre que ouço ou vejo algo que me arrepia, no contexto escolar ou educacional em geral, imediatamente penso numa música. Qualquer música boa. Coisa que eu gosto. Coisas que me fazem bem. Coisas que me dão prazer. Coisas que me completam. Música.
Parece bobo, não é? Ora, é o tipo de bobagem que funciona muito bem. Não sofro mais. Sei que estou fazendo o possível pra ser a diferença nas vidas dos meus alunos. Sei da importância disso. (E sei dos meus próprios erros. Não sou perfeita e os cometo todos os dias, em números preocupantes. Mas tento resolver da melhor maneira possível e me policio para não cometê-los de novo).
Nietzsche inventou o largo sorriso. Eu, a música na cabeça... E olha que mágica: essa música (qualquer que eu esteja "ouvindo") abriu meus olhos para as coisas boas também. Nem tudo são trevas. E isso me fez bem. Tem me feito bem.
Quando minha invenção não funcionar mais, terei que inventar outra coisa. Bem, adoro mudanças. E tu?

terça-feira, 6 de maio de 2008

À guisa de desabafo

Às vezes chego em casa e choro. Choro copiosamente. Não, não tenho dor física. Não tenho nada que se cure com uma dose cavalar de Paracetamol. Também não me sinto impotente diante de algumas dificuldades encontradas pelas minhas crianças. Por mais difíceis que elas pareçam eu sei, acredito piamente, que serão superadas, mesmo que levem mais tempo que o normal. Elas conseguirão.
Minhas lágrimas têm outra razão: a de saber que tantas crianças estão nas mãos de quem não acredita. Não acredita em nada. Imagina na capacidade delas... 'que é isso? tá louca? aqui isso não dá certo!'. (Ai, que dor.)
Houve um tempo em que briguei. Muito recentemente briguei muitíssimo. Muito recentemente fui obrigada a olhar atentamente para... A MINHA INSIGNIFICÂNCIA. Pois bem, olhei mesmo para ela, que foi esfregada, literalmente, no meu nariz. E fiquei mais apaixonada ainda por essa insignificância, por essa pequenez, por isso que chamaram de INCOMPETÊNCIA.
Incompetente é o professor que não usa o mesmo Diário, ano após ano, ou o do colega ('Afinal, a gente é a favor da mudança, né?').
Incompetente é o professor que permite que seus alunos interrompam a explicação para perguntar algo que está martelando na cabeça deles há muito tempo, e que ninguém ainda conseguiu responder ('Afinal, que espécie de hábitos e atitudes estás ensinando?')*.
Incompetente é o professor que pouco se interessa por um caderno abarrotado de folhinhas coladas ou exercícios de repetição ('Afinal, como é que eles vão treinar a organização?').
Incompetente é o professor que lê, que ensina seus alunos a procurarem as informações por eles mesmos ('Afinal, pra que é que a gente serve? Pra ensinar. Eles, pra aprender, oras!').
Muito prazer, eu sou uma professora chorona e completamente IN-COM-PE-TEN-TE!

À guisa de comentário breve

Alguns profissionais da educação acreditam que ATUALIZAR-SE é única e tão somente saber manusear um computador, estar à par da linguagem usada pelos jovens e conhecer as músicas mais tocadas pelos DJs. Pois a meu ver isso é um ledo engano. De que adianta ter os conhecimentos supra citados, entrar numa sala de aula, exigir que os alunos fiquem em silêncio o tempo todo, oferecer-lhes os mesmos exercícios aplicados ano após ano, para todos os alunos que já passaram pelas mãos desse profissional (profissional?), avaliar de acordo com as notas das provas (para "ralar" mesmo, principalmente os que insistem em ter voz), acreditar que os alunos das classes populares (não me é simpático esse termo, nem um pouco) têm menores condições cognitivas e pensar que, afinal, teoria é teoria, e prática é uma coisa bem diferente?
Senhor, dai-me paciência!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 15 de abril de 2008

A delícia da pesquisa


O LIVRO, desde os primeiros contatos com a escola... Um mundo de magia e possibilidades, as mais diversas, esperando ser desvendadas, entre uma capa e outra... Nenhuma formalidade. Os 'meus' já sabem disso...





15.04.2008 - 23h

Valor


Descobrir coisas novas, junto com os alunos é uma experiência que, a meu ver, deveria ser diária. Aprender deveria ser diário. Então, porque não fazê-lo acompanhado por aqueles que, aparentemente, têm mais a aprender que a ensinar?

Acostumada a andar por esses caminhos que nunca se sabe ao certo onde vão dar, sempre me surpreendo com as "tiradas" das crianças. E criança tem cada uma....

Já trabalhei com realidades as mais diversas. Já tive aluno pegando casca de banana do lixo, para comer, há muitos anos atrás. Já tive aluno que considerei gênio - e tenho certeza de que ainda fará grandes coisas em prol da humanidade -. Já tive aluno cuja felicidade era tão grande, que toda a tristeza do mundo caía de joelhos diante dele. Também já vi o oposto. Todas essas crianças, independente de classe social, história familiar ou habilidades particulares, tiveram e ainda têm coisas preciosas a dizer, a fazer, a acrescentar.

É isso que me mantém em sala de aula. É por isso que acordo de manhã com vontade de trabalhar. É daí que tiro forças pra pensar minhas aulas. É com essa vida toda que abasteço minhas energias profissionais, recarrego a bateria e acredito, piamente, sem a menor sombra de dúvida, que VALE CADA SEGUNDO GASTO NO MEU TRABALHO. Não vale a pena, porque não é uma pena, mas uma dádiva.

Descobrir é sempre uma festa, quando essa descoberta é acompanhada pelo brilho do olhar desses que, aqui, hoje, são responsáveis pelo AGORA; quiçá por um amanhã menos dolorido.
15.04.2008 - 22h54min

segunda-feira, 14 de abril de 2008


A culpa é da vida


Há anos levanto vários questionamentos quanto à prática do ensino, em geral, mas não me sentia suficientemente corajosa para colocá-los no papel. A ousadia, porém, é uma virtude que cultivo e, cansada de discutir em pequenos círculos, me aventurei em 2004, a ampliar a discussão, alçar vôo e aprender mais sobre o assunto. E que outra forma há para aprender, além de expor-se a opiniões diversas?
Escrevo em primeira pessoa porque essa é a minha visão da prática escolar, observada ao longo de meus vinte e tantos anos de magistério. O leitor não tem a menor obrigação de concordar ou de ver a situação sob o mesmo prisma mas, certamente, reconhecerá realidades ou dizeres, já que eles estão aí mesmo, para quem quiser vê-los ou ouvi-los.

Sabemos todos nós, profissionais do ensino, das teorias que orientam - ou pretendem orientar - nosso fazer pedagógico. Concordamos com elas, ou não. Mesclamos práticas, sofremos, ou não nos importamos. Seja qual for a postura do professor, ela faz, sim, enorme diferença para o aluno.
Quando me coloco à frente de uma classe, sou uma, diante de 19, 20, 35 pessoas, ou mais. É a minha experiência que transmito (não há como me separar dela, por mais que me esforce para tanto). São as experiências de todas elas que recebo. Aprendo, muito mais que ensino. Isso parece óbvio? Só o será para quem estiver disposto a ver...

De que adianta sabermos tanto? De que adianta conhecermos as mais modernas teorias que privilegiam as mais diversas habilidades, que respeitam idiossincrasias, que deixam claro que o professor é apenas e tão somente um orientador, um guia, e nunca o detentor único do saber, se continuamos pondo em prática as velhas metodologias com as quais nós mesmos fomos "ensinados"? Sim, eles funcionaram, afinal, nos deram condições para chegarmos aqui. BRAVO! Será?...

Quando conheço, passo a ser responsável pelo destino do conhecimento adquirido. Se vou deixá-lo quieto, se vou ignorá-lo, se vou tratá-lo como algo tão precioso que não deva ser compartilhado, apenas protegido da inveja alheia, se vou defendê-lo com unhas e dentes, se permaneço buscando indefinidamente, tudo isso traz refelxos ao meu fazer pedagógico: a sala de aula tem a cara daquilo que ACREDITO, não apenas do que SEI.

Acho lindo quando Rubem Alves compara a sala de aula a um jardim, um lugar mágico, onde é possível ver a beleza nascendo. Não conheço outro espaço onde isso seja possível, com tamanha clareza. Também não conheço outro espaço tão displicentemente cultivado, tão pouco valorizado. O jardineiro precisa acreditar que suas plantinhas têm alma. Meu jardim tem as cores que eu ACREDITO, não as que CONHEÇO.

Mas a culpa não é do professor. É do Sistema, é do governo, dos baixos salários, da decadente valorização do magistério, das salas de aula apinhadas de alunos, da realidade cada vez mais complexa desses alunos, da dificuldade de se especializar, da dificuldade de se deslocar, da dificuldade de se dedicar, do tempo curto, da chuva, do sol, do vento, da violência, dos filhos, do marido, dos pais, da falta de escolhas, do alto preço dos livros, do alto custo de vida, da AIDS, da miséria, da fome, da vida, meu Deus, da vida! Encerrado o assunto. Não há como argumentar diante de tamanha lista de impedimentos. O maior deles: a vida. Justamente o que de mais precioso há no saber: a vida. O que permanece pulsando, insistente, apesar de tudo: a vida - ausente em determinados ambientes escolares, sejam de Ensino Fundamental, Médio ou Superior.

Se acredito na vida, minha sala de aula é sempre nova, independente do apoio da Direção da escola, da falta de recursos, do fuxico ou da maledicência. A vida é barulhenta e silenciosa, é doída, difícil e plena de significados. A vida é dinâmica e contraditória, exigente, forte e bonita. "Bonita", diria Gonzaguinha.

Se tua sala de aula é bonita, sim, caro colega, a culpa é da vida...


Escrito em 24.08.2004

domingo, 13 de abril de 2008

Complete você....

  • Pior que ouvir as mesmas respostas é ser obrigada a fazer as mesmas perguntas. Ah! Ninguém é obrigado a perguntar nada, dirás. Pois eu concordo contigo. Melhor calar que agredir a si mesmo. Por outro lado.... Não será uma forma de agressão o silêncio? Quem tem força suficiente pra suportar a palavra que cresce na garganta, e vai sendo somada a outras, dia após dia?



(Os outros ítens ficam a teu cargo, leitor... vem comigo, perseguir novos caminhos...)



13.04.2008 - 23h51min