segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não vejo, não falo, não ouço...

.... mas morro de aflição, Jesus!




Retiro o que eu disse, no post anterior. Não posso falar da paixão de aprender, sem falar das coisas que eu não quero chegar a fazer. Explico:
Jurei que não falaria das coisas erradas, este ano. Que teria apenas olhos para as coisas boas, ou pra nenhuma; qualquer coisa, pra não me incomodar, não me estressar, continuar com minha saúde geral intacta. Não deu, desculpa.
Sou obrigada a falar. Não aguento!

Um certo conhecido contador de histórias (sobre o qual, depois de hoje, tenho cá muitas reservas, mas que fez nome e é muito bem visto no meio regional) foi convidado para contar histórias para as crianças, no seu primeiro dia de aula. Uma hora de "espetáculo". Se eu não tivesse aprendido a ser dissimulada, teria chorado desde a primeira frase dele, até a última. Se eu não tivesse aprendido a me conter, teria feito um escândalo ali mesmo.

Pois o indivíduo avisou que iria contar histórias de terror (para crianças de Jardim ao 5º ano). A primeira falava sobre um pai que não gostava da filha, levou-a à beira de um penhasco e a jogou de lá. ela caiu no mar e foi comida pelos peixes. Se a história fosse só isso eu já teria achado um absurdo. Mas ela foi muito adiante. O suficiente pra me deixar com os cabelos arrepiados. De medo. Medo da falta de tato do tal contador.

Se tivesse parado aí, meu dia já estaria mais do que estragado. Não parou. Vieram outras duas histórias. Uma que eu não entendi bulhufas e outra que o esperto contador disse ser VERDADEIRA, acontecida na cidade, e falava sobre uma moça que estava para casar com um caminhoneiro. Ele não apareceu no dia do casamento e ela se matou, atirando-se do alto da torre da igreja.

Recuso-me a contar o resto da porcaria toda, como não contei também o desfecho da primeira.

A tal pessoa perguntou às crianças quem tinha pai (pergunta mais do que idiota!) e avisou que todos tinham que chegar em casa e verificar se os pais usavam aliança, porque, se não usassem seriam mortos, quando passassem à noite, na segunda-feira, pelo cemitério. A assassina seria a noiva que se matara, na história VERDADEIRA...

Fui tomada por uma tristeza imensa. Um desalento tamanho que consome as forças. Mais ainda porque não pude tentar consertar a porcaria, porque, depois desse insuportável festival de sandices, os alunos foram liberados imediatamente, já que se encerrava o dia letivo.

Não sei se vocês considerarão exagerado da minha parte, mas pensem comigo: vocês gostariam que seus filhos ouvissem esse tipo de histórias na escola?

Não vejo, não falo, não ouço, mas sinto uma dor lancinante bem aqui, no lado esquerdo do peito...








domingo, 20 de fevereiro de 2011

Da paixão de aprender

Entre 2008 e 2011, percorri muito chão. O que houve de novo? Praticamente nada. Luta inglória, essa na educação (não é DA educação, observe; é NA mesmo!).

Sim, eu mudei. Confesso estar tristemente mudada hoje, 3 anos depois da última postagem nesse blog, que eu espero poder retomar agora. Uma das mudanças foi abrir mão do desejo de publicação de um livro sobre a educação, conforme Simone Aver. Ele não acontecerá. A intenção primeira desse livro era abrir os olhos de quem atua em sala de aula. Não era nem atingir quem "manda" na gente (sim, somos "paus mandados"), mas alcançar quem está na linha de frente, ou seja, os professores.

Pois desisti. Cheguei à conclusão de que, afinal, eu não conseguiria, haja visto termos autores do nível de Rubem Alves, que até são lidos e frequentemente citados, mas não seguidos de fato, transformados em prática real de sala de aula. Se ele e sua obra magnífica são usados só como cortina de fumaça para as mesmas práticas arcaicas, porque com o meu livro aconteceria o oposto? Ora! Tenho espelho, em casa!

Agora, em 2011, quero falar de paixão. Não da paixão pela profissão. Dessa desisti. Da paixão por aprender. Aprender a ensinar. Não dos professores em geral, mas da MINHA paixão, do meu desejo de ensinar e aprender. 

Apertem os cintos...